8.9.12

Quadro de excertos - Brisingr: Os Portões da Morte, parte I

Ok, aqui está um novo quadro, atrasado um dia mas, como se diz, mais vele tarde do que nunca! Este é do primeiro capítulo de Brisingr, Os Portões da Morte, sobre uma das reflexões que Eragon faz quando está com Roran. Esta é a parte I, estou a rezervar a parte II para terça, e ainda vai haver uma parte III! Cliquem em Ler Mais!



   Murtagh.
   Só aquele nome desencadeava em Eragon um turbilhão de emoções incertas. Por um lado gostava de Murtagh: fora ele que o salvara e a Saphira dos Ra´zac, depois da sua primeira e malfadada visita a Dras-Leona; arrisacara a sua vida para o libertar de Gil'ead; inocentara-se honrosamente na batalha de Farthen Dur e, apesar dos tormentos que decerto sofrera em consequência disso; escolhera interpretar as ordens de Galbatorix de modo a libertar Eragon e Saphira, depois da Batalha nas Planícies Flamejantes, em vez de os fazer cativos. Murtagh não tivera culpa que os Gémeos o raptassem, nem que Thorn, o dragão vermelho saísse do ovo; nem tão pouco que Galbatorix descobrisse o verdadeiro nome de ambos, conseguindo obrigar Murtagh e Thorn a jurar-lhe lealdade na língua antiga.
   Murtagh não podia ser responsabilizado por nada disso. Era uma vítima do destino desde o dia em que nascera.
   No entanto... mesmo que Murtagh servisse Galbatorix contra a sua vontade, mesmo que abominasse as atrocidades que o rei o forçava a cometer, parte de si parecia regozijar-se com o exercício desse novo poder. Nos recebtes confrontos entre os  Varden e o Império nas Planícies Flamejantes, Murtagh isolara Hrothgar, o rei dos Anões, e assassinara-o, embora Galbatorix não lhe tivesse dado ordens nesse sentido. Deixara Eragon e Saphira partir, mas depois de os derrotar  num brutal desafio de forças e ouvir Eragon implorar-lhe que os libertasse.
   Além disso, Murtagh parecia ter sentido demasiado prazer com a angústia que infligira a Eragon ao revelar-lhe o facto de serem ambos filhos de Morzan - o primeiro e último dos treze Cavaleiros do Dragão, os Renegados, que entregaram os compatriotas a Galbatorix.
   Agora, quatro dias após a batalha, uma outra explicação ocorria-lhe: Talvez o prazer de Murtagh fosse ver outra pessoa carregar o mesmo fardo terrível que ele carregara ao longo de toda a sua vida.
   Fosse a verdade ou não, Eragon desconfiava que Murtagh havia abraçado a sua nova missão do mesmo modo que um cão chicoteado sem razão se vira contra o dono e ataca. Murtagh fora chicoteado, vezes sem conta, e tinha agora a oportunidade de ripostar contra um mundo que pouca compaixão demonstrara para com ele.
   Contudo, por muita bondade que ainda pulsasse no peito de Murtagh, ele e Eragon estavam condenados a ser inimigos mortais, porque as promessas de Murtagh na língua antiga prendê-lo-iam irremediavelmente a Galbatorix, para todo o sempre.
   "Se ao menos ele não tivesse partido com Ajihadem preseguição dos Urgals, o longo dos túneis de Farthen Dur, ou se tivesse sido um pouco mais rápido, os Gémeos..."~
   - Eragon - disse Saphira
   Ele recompôs-se e acenou com a cabeça, grato por aquela intervenção. Eragon evitava a todo o custo pensar em Murtagh ou no parentesco que partilhavam, mas tais pensamentosassaltavam-no frequentemente, quando menos esperava.
   Depois de respirar pausadamente para clarear as ideias, Eragon forçou a mente a regressar ao presente, mas sem sucesso.
 
... Parte II na terça ou antes, com sorte.
  

Sem comentários: