11.9.12

Quadro de excertos: Brisingr - Os Portões da Morte parte II

Trago Os Portões da Morte - Parte II
 
 


   Na manhã seguinte à batalha nas Planícies Flamejantes - enquanto os Varden se reagrupavam e se preparavam para marchar ao encontro do exército do Império, que recuara algumas léguas, subindo o Rio Jiet - Eragon foi ter com Nasuada e Arya para lhes explicar a difícil situação em que Roran se encontrava e pedira-lhes permissão para auxiliar o primo, ms não a conseguira obter. As duas mulheres opuseram-se veemente perante o que Nasuada definiu como: "um esquema temerário com consequências catastróficas para toda a gente em Alagaesia, saso corresse mal!"
   O debate feroz prolongou-se por muito tempo, até que Saphira o interrompeu com um rugido que fez estremecer as paredes da tenda do comando, dizando:
   - Estou dorida e cansada, além de que o Eragon não está a sair-se nada bem nas suas explicações. Há mais que fazer que reclamar como umas gralhas, não vos parece?... Óptimo. Então, agora, escutem-me.
   "Era de facto complicado discutir com um dragão", concluiu Eragon.
   Os detalhes dos comentários de Saphira revelaram-se complexos, mas o fundamento da sua exposição era cristalino. Saphira apoiava Eragon, pois sabia o quanto a missão significava para ele. Por sua vez, Eragon apoiava Roran, por amor à família, e porque sabia que este iria procurar Katrina com ou sem a sua ajuda, e jamais conseguiria derrotar os Ra'zac sozinho. Além disso, enquanto o Império mantivesse Katrina cativa, Roran - e Eragon, através dele - estariam vulneráveis à manipulação de Galbatorix. Caso o usurpador ameaçasse matar Katrina, Roran não teria outro remédio que não sujeitar-se às suas exigências.
   O melhor seria tapar essa brecha nas defesas, antes que os seus inimigos tirassem o devido proveito.
   Quanto à questão da oportunidade, aquele seria o momento ideal. Nem Galbatorix, nem os Ra'zac contavam com aquele ataque surpresa contra o Império, enquanto os Varden combatiam as tropas de Galbatorix junto à fronteira de Surda. Murtagh e Thorn foram vistos a voar em direção a Uru'baen - certamente para serem castigados. Nasuada e Arya concordavam com a teoria de Eragon de que ambos prosseguiriam depois rumo a norte, para se defrontarem com a rainha Islanzadí e o exército que comandava. Logo que os elfos perpetrassem o primeiro ataque, denunciaram a sua presença. Se possível, seria preferível eliminar os Ra'zac, antes que começassem a aterrorizar e desmoralizar os guerreiros Varden.
   Saphira referiu, em seguida, com toda a diplomacia possível, que se Nasuada insistisse em reafirmar a sua autoridade sobre Eragon, proibindo-o de participar nessa incursão, envenenaria o seu relacionamento com um rancor e uma discórdia capazes de minar a causa dos Varden.
   - No entanto - continuou Saphira - a escolha é vossa. Mantenham Eragon aqui, se assim o entenderem. Mas uma coisa é certa: os compromisso dele não são os meus e eu decidi acompanhar Roran. Entre outras coisas oarece-me uma excelente aventura.
   Um ténue sorriso foi visível nos lábios de Eragon, ao recordar aquela cena.
   O peso da exposição de Saphira, aliado à sua lógica inabalável, acabou por convencer Nasuada e Arya a aprovarem a missão, ainda que com relutância.
   Em seguida Nasuada afirmou:
   - Confiamos no vosso discernimento no que diz respeito a este assunto, Eragon e Saphira. Para bem de todos, espero que a espedição corra de feição - o seu tom de voz deixou Eragon na dúvida se tais palavras representavam um desejo sincero ou uma ameaça velada.

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